
Calor, locações desertas, uma cidade praticamente abandonada. Gente sentada na varanda acompanhando a passagem do tempo. Ao fundo uma canção bêbada, servindo de trilha. A letra de certa forma nos introduz ao que vamos ver ao longo do filme.
Feito em 1986, Down by Law é um filme atemporal. Um dos primeiros filmes do diretor norte-americano Jim Jarmush acaba de ganhar a edição em DVD no Brasil. O filme foi um dos precursores do cinema independente americano como o entendemos hoje. Uma obra que afirmou a identidade do gênero.
O filme conta a história de três personagens: um dj fracassado, um cafetão sonhador, e um estrangeiro que não domina a língua inglesa. Por uma série de motivos eles se encontram, e apesar das diferenças, algumas afinidades vão surgindo aos poucos.
O gosto amargo do fracasso é o fio da meada que os une. A sensação de deslocamento é inerente tanto aos personagens, quanto à cidade em que vivem. São figuras que não tem o seu lugar no sonho americano. E por esss característica nos lembra os velhos heróis beatniks, marcados por um tom mais cínico, com sabor de ressaca.
Os diálogos bem desenvolvidos do filme, serviram de forte influência para boa parte do atual cinema independente. Vide Quentin Tarantino e Kevin Smith. A dificuldade de comunicação na conversa dos três, serve para o diretor acentuar o traço tragicômico de um diálogo feito de silêncios, gestos, olhares, pronúncias erradas, pequenas glórias, lembranças e sonhos.
A fotografia em preto e branco, foi inspirada nos filmes de prisão dos anos 40, como afirmou Jarmush em uma entrevista que vem nos extras do DVD. O diretor também conseguiu reunir um time de primeira para o elenco. Interpretando o dj temos Tom Waits, que também colabora com a trilha. O ator italiano Roberto Benigni não precisa do menor esforço para interpretar ele mesmo. E o resultado é excelente! John Lurie se sai muito bem como cafetão, e não podemos esquecer da companheira de Benigni, Nicoletta Braschi.
Serviço: Down By Law
Legendas em Português Diretor: Jim Jarmush Ano de Produção: 1986
Extras: fotos, entrevistas,fotos e um clipe do Tom Waits (sem legendas) Distribuição: Lume Filmes
1 de Maio de 2008
Down By Law
13 de Janeiro de 2008
Elephant Parade

O Elephant Parade, é uma séria candidata à categoria de banda mais fofa de todos os tempos. Seus fãs fazem desenhos inspirados na banda, e tiram fotos onde aparecem abraçados ou dormindo com o seu álbum favorito, no caso é o Bedroom Recordings, lançado em 2006.
Tudo começou em 2005, quando Estelle e Idol se conheceram em uma festa ruim, e para passar o tempo ficaram criando listas imaginárias de músicas que poderiam salvar a tal festa. A partir do encontro eles decidiram formar uma banda, dando continuidade a tradição de grupos com formação de casal, como o Pipas, Club 8, Happy Couple, Birdie, Paper Bag Couple e muitas outros. As composições foram surgindo e os dois registraram tudo em gravações caseiras, daí o nome do álbum. As canções são alternadas com vocais femininos e masculinos, e as vêzes duetos, todas baseadas em folk pop intimista, os melhores exemplos são mostrados nas faixas "Velcro" e "For You" ambas cantadas em tom confessional. O ponto alto do álbum fica com a faixa de abertura, chamada "Goodbye", com a voz de Stelle acompanhada somente pelo teclado e violão, legitimando uma das melhores canções pop do sistema solar. Inclusive essa música virou um clipe, dirigido por Idol, e uma das cenas faz parte da página inicial do site da banda. É incrível como uma música tão simples e com duranção de apenas 1:30 consegue nos fisgar de primeira.
Vale lembra que Estelle já fez parte de uma das bandas mais legais de indiepop, o Brittle Stars, que chegou a fazer parte da gravadora Shelflife, e também tocou no Human Television.
Esse post foi feito, graças a dica que recebi da Valérie, editora de um fanzine imaginário sobre ovelhas e músicas para ouvir no teto. Obrigado!
Veja o vídeo
2 de Janeiro de 2008
In Our Nature - José Gonzaléz

Show de José Gonzaléz - Dia 22 de Janeiro de 2008, Sesc Vila Mariana- São Paulo- 21:00
Porto Alegre
Quarta-feira | 23/01 | 19h
Santander Cultural (Praça da Alfândega, Centro)
Quando José Gonzaléz aportou no Brasil para algumas apresentações dentro do festival Coquetel Molotov, impressionou em cima do palco, apenas com a sua voz e violão. Na época a sua discografia era formada pelo álbum Veneer e alguns eps e singles, e o seu trabalho também era conhecido devido a inserção de suas canções em um comercial de tv, e em algumas séries como The O.C.. O segundo álbum In Our Nature, imprime a cada audição, os aspectos de solitude e introspecção apontados no primeiro disco. O folk é o alicerce para Gonzales conduzir com leveza, de maneira simples e ao mesmo tempo hipnótica, as dez canções do disco, que envolvem o ouvinte em composições agridoces.
É incrível como o violão e a voz criam a simbiose perfeita, para traduzir de modo singular as fragilidades da condição humana. Combinando sonoridades suaves e por vezes dilacerantes. Em canções como", "How Low" com seus toques graves e batidas secas emoldurando a letra que contesta as ações de guerra, Killing for Love" e "Time to send someone away", o ouvinte compartilha com o cantor sueco, temas que ficam divididos entre a fragilidade e a força, realçados por músicas inspiradas em paixões e conflitos bélicos. Há belas passagens poéticas, como em "Fold", onde Gonzalez canta: "Taking time to walk down all the aislers/ Turning over every stone/Bulding new rulers but still haven't burnt any old". Assim como no primeiro album, o cantor/compositor fez uma versão para Heatbeats do Knife, no segundo ele nos brinda com uma versão intensa em forma de folk, de "Teardrop"do Massive Attack, um dos ícones do trip-hop.
Tudo isso, faz de "In Our Nature"um dos grandes álbuns de 2007, e como todos os bons discos, se mostra atemporal, e poderia ser facilmente lançado em 1963 ou em 2025, e ainda assim continuaria encantando as pessoas, com as suas canções tocando em comerciais de tv ou na solidão de um quarto. Um disco que merece ficar ao lado dos mehores álbuns de Elliott Smith e Nick Drake.
13 de Dezembro de 2007
The Airfields - City State ep

O Airfields é uma banda canadense, que lançou em 2005, o ep City-State, um disco pontuado por atmosfera de sonhos, passagens tristonhas, extendidas em canções que duram uma média de cinco a oito minutos. As três faixas de City-State não combinam de nenhuma maneira com o ritmo desenfreado, barulhento e imediatista da vida urbana. O som sugere escapismo, mas não no sentido sombrio das bandas da 4AD dos anos 80, mas sim flertando com um clima mais bucólico e simples.
O cuidado das canções também se aplica à embalagem, a capa de City-State foi feita artesanalmente, o disco vem dentro de um envelope, com duas ilustrações coladas, e as bordas do envelope foram costuradas, e para completar o trabalho, o nome da banda foi carimbado na capa e no cd. A arte da embalagem foi feita por um coletivo de artistas, chamado The Blue House, que desenvolvem vários trabalhos para grupos independentes, eles produzem desde de capas de vinil, passando por cds, posters,livros, fanzines, camisetas e buttons.
Esse disco saiu com uma tiragem limitada, está praticamente esgotado. Mas ainda é possível encontrá-lo em alguma loja virtual que distribua discos de grupos independentes. Para quem se interessar a banda disponibilizou as 3 faixas desse disco no site deles.
No perfil do Airfields no myspace, nota-se que atualmente eles aumentaram a presença de guitarras e microfonias, fazendo uma ponte direta com o My Bloody Valentine da fase Ecstasy & Wine. É interessante notar como eles foram moldando a sonoridade, que apontava para elementos shoegaze mais leves, até alcançar o extremo com massas sonoras de guitarras no atual estágio.
Agradecimentos ao Carlos da Sensorial Discos, que me emprestou o ep para fazer a resenha. Obrigado!
24 de Outubro de 2007
Butcher Boy - Profit in Your Poetry

Eles com certeza não vão entrar na lista dos melhores do ano de revistas modernosas, suas canções não se tornarão toques de aparelhos celular, comercial de carros, ou será tema de rodinhas de gente antenada. Nenhum jornalista descolado (e deslumbrado) vai escrever parágrafos e mais páragrafos tentando desvendar segredos, mensagens ou teorizar sobre o grupo escocês. Porque não há mensagens, segredos ou teorias em música pop de verdade. As canções do Butcher Boy representam o que há de mais simples, honesto e espontâneo na música pop em 2007. Tudo o que você vai ouvir aqui, os Smiths, Felt e o Weather Prophets já fizeram. Por vezes remetem ao Tindersticks menos soturno, talvez por causa do jeito de cantar do vocalista. Se eles surgissem nos anos 80 fariam parte da lendária gravadora escocesa Postcard, ao lado de Orange Juice e Go-Betweens. Nota-se que a arte da capa foi inspirada nos discos dos Housemartins (vide o London 0 Hull 4) ou em algumas capas da gravadora Sarah. O encarte vem com todas as letras, cheias de dramas e romantismo. As minhas faixas favoritas são "There is No-One Who Can Tell You Where You've Been", com a linha de baixo hipnotizante, o cello ao fundo, as batidas simples, enquanto o vocalista canta coisas como "In Kodakcolor days we're locked" ou "And I'm too tired to even talk", "Profit In Your Poetry, é a melhor música do ano, melodias entusiasmantes que levam ao vício! A sexta faixa, faz referência clara ao Belle and Sebastian. Ouça "Girls Make Me Sick" e note como a introdução é semelhante à "Like Dylan in The Movies" e o restante do disco segue nessa linha, fechando o álbum em menos de 40 minutos.
Além desse de Profit in Your Poetry, a banda já lançou um single e participou de uma coletânea lançada pela mesma gravadora How Does It Feel To Be Loved, nome retirado de uma festa voltada para discotecagem indiepop, northern soul e girls groups. Para conhecer mais visitem esses links:
How Does it Feel To Be Loved
Butcher Boy Oficial
Butcher Boy no Myspace
Link Renovado para Baixar o Biff Bang Pop
Agradecimentos ao Lúcio Pop Tapes, que me presenteou com o melhor disco de 2007.
20 de Setembro de 2007
Invasão Sueca: Hello Saferide

Quando Annika Norlinse e Maia Hirasawa adentraram o palco do Sesc Vila Mariana, com uma postura séria, passaram a impressão de que o show do Hello Saferide seria chato e burocrático, mas durante a primeira canção o público foi percebendo que aquela noite ia ser bem divertida, pois em poucos minutos Annika Norlinse quebrou o gelo com suas expressões engraçadas, acompanhadas de comentários divertidos sobre as músicas.
As duas dominam muito bem o palco, apenas com voz, violão, piano, pandeiro, e escaleta. As vozes da dupla sueca fazem o equilíbrio perfeito, enquanto Annika tem um tom mais suave, Maia se encarrega dos tons mais fortes e de longo alcance. Juntas elas conquistaram o pequeno público, que mesmo não conhecendo bem o repertório do Hello Saferide, foram cativadas pelas canções folk pop com histórias de amor não correspondido ou desfeitos, como 25 Days, Long Lost Penpal e If I Don't write this song, Someone I love will die e muitas outras. As pessoas amaram a dupla, e não paravam de pedir bis, que foi prontamente atendido. O segundo bis aconteceu de maneira inusitada: quando elas estavam saíndo não acharam a porta para o camarim e inevitavelmente Annika fez um piada sobre isso, e tocaram mais algumas para fechar o show. Em seguida com toda a simpatia do mundo, anunciaram Last Bitter song, uma letra com humor peculiar. No final do show, na hora em que as meninas estavam guardando os instrumentos as pessoas ainda pediam mais um pouco de Hello Saferide.
Baixe aqui, a versão pdf do Biff Bang Pop! zine # 04
28 de Agosto de 2007
Eles Estão Chegando de Novo!!
Hello Saferide em ação
Em setembro acontece mais uma edição da Invasão Sueca, organizada pelo competente coletivo Coquetel Molotov. Desta vez teremos Hello Saferide, , o indiepop com acento punk do Love is All e os garotos do Suburban Kids With Biblical Names, um dos melhores grupos da gravadora Labrador.
Os shows vão acontecer em Recife, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Vejam as datas e os locais de cada show logo abaixo:
Recife - Teatro da UFPE
Love is All, Suburban Kids With Biblical Names e Hello Saferide
14 e 15 de setembro
Curitiba - Era Só O Que Faltava
Love is All, Suburban Kids With Biblical Names e Hello Saferide
17 de setembro
São Paulo - SESC Vila Mariana
Hello Saferide
18 de setembro
São Paulo - Studio SP
Love is All
20 de setembro
São Paulo - Studio SP
Suburban Kids With Biblical Names
21 de setembro
Porto Alegre - Cultural Santander
Hello Saferide
16 de setembro
Para maiores informações, visitem o site do Coquetel Molotov, e aproveitem para baixar a versão pdf da revista.
Não Percam por nada!
Para finalizar fiquem com o video genial de Rent a Wreck dos Suburban Kids.
