16 de novembro de 2009

Nova Coletânea Indiepop da Rough Trade


Betty and The Werewolfs


A Rough Trade é uma das lojas de discos mais fodas de todos os tempos. Desde de 1976 ela promove o que há de melhor na música pop. Começou como uma loja que importava raridades dos sons jamaicanos, depois acompanhou o boom do movimento punk, new wave, pós punk, suas derivações e consequencias.


Expandiu os negócios dois anos depois da abertura, com a fundação da gravadora. E apostou em gente como Stiff Little Fingers, The Raicoats e Cabaret Voltaire. A cereja do bolo foi lançar ao mundo os Smiths. Sem contar que atualmente é a gravadora do Belle and Sebastian.



Em 2008 tive a oportunidade de conhecer as duas lojas em Londres. Para o fã de música pop é como visitar um lugar sagrado. Sei lá! Uma catedral ou qualquer outro templo.


Sad Day for Puppetes





Na loja mais antiga e intimista, por causa do tamanho, tem posters, adesivos e panfletos de shows do Sex Pistols, Clash e quase toda turma de 77. Originais da época. Fiquei perdido, não sabia nem por onde começar a minha exploração.


A mais nova, tem espaço de sobra para os discos, um café, sofás com fones de ouvido e até um palco onde já se apresentaram vários artistas como The Pains of Being Pure at Heart, I'm from Barcelona, Pipettes, Blur, Daniel Johnston, Lily Allen, Of Montreal e muitos outros. Tudo de graça.



Veronica Falls


Hoje nessa loja vai acontecer o show de lançamento da coletânea da Rough Trade, chamada New Indiepop 09. Das 25 bandas que aparecem na compilação, quatro vão fazer apresentações junto com djs. São elas: Sad Days for Pupettes,Betty and The Werewolfs, Pocketbooks e Veronica Falls. Cada banda vai tocar por 20 minutos e nos intervalos os djs comandam.


Na coletânea nomes familiares como Los Campesinos e The Pains of Being Pure at Heart. Outros nem tanto como The Girls at Dawn e Dum Dum Girls. Segundo o pessoal da Rough Trade o momento é especial. Pois 2009 lembra bastante a época em que surgiram bandas como Jesus and Mary Chain e Wedding Present e outras.




Tudo aquilo aconteceu no meio dos anos 80 onde existia uma forte crise econômica e surgiram várias bandas e manifestações da classe trabalhadora. Eles sentem que existe algo no ar que resgata aquela cena. Vamos ver!


Morning Light da banda Girls é uma das melhores faixas da coletânea:



12 de novembro de 2009

O que é Twee Pop?

Vez ou outra as pessoas me perguntam que tipo de som é esse. Eu tento explicar mas não sou nada didático.

Achei esse mini-documentário no youtube para me ajudar. Tem alguns exageros, umas caricaturas, mas no geral o video passa o recado.

Confira!


8 de novembro de 2009

Pia Fraus



Eles são da Estônia. Vão te deixar com a cabeça nas nuvens. Eles são a Pia Fraus. Tudo começou em 1998 quando seis estudantes de arte (espere aí! essa história é velha!) se conheceram e decidiram formar uma banda misturando elementos de indiepop e shoegaze.


O som da banda fica no patamar entre a sofisticação pop dos ingleses do Broadcast (de olho nos primeiros registros) e a fase mais suave do Slowdive.



É como se o My Bloody Valentine (fase Ecstacy & Wine) tocasse as músicas do Stereolab e vice-e-versa. Não por acaso participaram de uma coletânea shoegaze chamada Never lose that feeling tocando "Strawberry wine".





O primeiro álbum Wonder what it's like saiu em 2001,lançado pela própria banda. Em seguida lançaram mais alguns álbuns e eps, com passagens pela gravadora Claire, uma das mais importantes da cena neo-shoegaze.



Entre os pontos altos da banda figura a produção fodassa de Norman Blake um dos carinhas do Teenage Fanclub, para o disco Nature heart of software.
A música "400 & 57" do álbum de estréia da banda é simplesmente fantástica, uma das faixas de abertura mais viciantes de todos os tempos.
Confira o vídeo:

7 de novembro de 2009

A Sunny Day in Glasgow



Não se engane: A Sunny Day in Glasgow não é uma banda escocesa. A banda norte-americana que começou em 2000, mas precisamente da cidade de Philadelphia, tem uma das formações mais curiosas: duas irmãs gêmeas dividem o palco com Ben Daniels, o irmão da dupla. E para não ficar no esquema da brodagem Even Nalens entra para quebrar o modo "tudo em família" da banda.


O som é atmosférico, transborda climas oníricos, trilha de sonhos e pesadelos, guitarras criam muros de som, que se misturam com loops, baterias eletrônicas, vozes distantes. Tudo parece confuso como um sonho, passagens entorpecidas que andam de mãos dadas com a fase Loveless do My Bloody Valentine e bandas do selo 4AD.






A Sunny Day in Glasgow não vai te pegar na primeira audição. Alguns rituais são necessários como um passo a passo, você tem que ir de leve: puxe alguns discos do Galaxie 500, coisas também do já citado MBV, visite o site da Claire records. Em seguida veja Lost in Translation sem volume. E quando bater aquela insônia, coloque o os fones de ouvido e mande ver em "Ashes Grammar" o novo disco da banda. Não precisa seguir o ritual nessa ordem. Faça do jeito que você quiser.


Para finalizar: de 2000 para cá aconteceram várias mudanças na formação. A última foi a saída das gêmeas. Parece que já providenciaram outros integrantes e a banda continua.

27 de outubro de 2009

Retrospectiva Biff Bang Pop - Discoteca Básica do Indiepop (parte 4)


Contra capa do disco Ostrich Churchya do Orange Juice


Postcard records

Como diz o release do selo escocês: sem a Postcard não existiria bandas como os Pastels, toda Classe de 86, Sarah records ou até mesmo os Smiths. E para citar bandas mais novas, temos o Franz Ferdinand, filhos indiretos da Postcard.



Não é por acaso que o seu fundador Alan Horne é considerado um dos grandes heróis da cena. Afinal quem no início dos anos 80 teria o poder visionário de acreditar no Orange Juice e lançar o 1º single da banda? Foi desse forno que saíram as primeiras gravações de Josef K, Aztec Camera e Go-Betweens.



Infelizmente a gravadora durou somente um ano. Mas foi o suficiente para contaminar gerações de bandas não só da Escócia como atravessou fronteiras, e continua uma referência na música pop independente.


22 de outubro de 2009

Picnic Hipster


Picnic Hipster é uma dupla paulista, formada por Ricardo Melo e Gustavo Cunha, e representa muito bem o lado mais intimista do gênero. Vozes suaves arredondam as melodias calcadas em violões e arranjos de cordas. Uma combinação das primeiras canções do Belle and Sebastian com tonalidades dos anos 60.


Canções como "Fantasmas do Passado" e "Recomeço" reinventam o clima de melancolia e apontam caminhos mais ingênuos e menos soturnos, que podem ser identificados nas letras. As duas são tão boas que seria difícil escolher qual seria o lado A de um single de trabalho.

Os dois já tocaram juntos em outras bandas. A primeira foi com Les Sucettes, uma banda com forte influência do pop francês sessentista. A segunda chamava Le Rock Démodé e durou pouco. Seguia a a trilha deixada pelos Sucettes com alguns atalhos para o folk rock.

Conheça mais sobre o Picnic Hipster nessa entrevista feita por e-mail com a dupla.


BBP -Como surgiu o Picnic Hipster? Vocês já tocaram juntos em outras bandas como o Les Sucettes e recentemente no Le Rock Démodé.É mais fácil trabalhar em dupla?

GUSTAVO - O Picnic surgiu da vontade de continuar a fazer música com o Ricardo, após o fim do Le Rock, em função do que continuávamos a acreditar em termos de conceitos e ideias musicais. Compatibilidade mesmo. Passamos por algumas experiências que não funcionaram e percebemos que ao invés do conformismo ou frustração, o melhor a fazer seria seguir em frente...

RICARDO - Realmente é muito mais fácil trabalhar em dupla. Tocar com um grande número de músicos é uma experiência bem agradável, mesmo porque fazemos arranjos para vários instrumentos. Mas na prática isso se mostrou inviável, era muito difícil 'gerenciar' uma banda com muita gente. Ao invés das coisas fluirem melhor, acabava-se perdendo o foco.

BBP-Nas influências do Picnic Hipster notamos a nata do folk e rock dos anos 60. Achei curioso colocar o Dinosaur Jr que é um tipo de som mais noise.
Existe esse lado em vocês que não foi mostrado?


GUSTAVO - É inegável que a música dos anos 60 para nós é uma fonte inesgotável. Mas sempre estivemos atentos a tudo o que musicalmente é interessante para nós. O Dinosaur Jr., penso eu ser uma influência significativa para qualquer banda de rock ou folk-rock. Mas enfim, sou suspeito para falar de J. Mascis, rs!


RICARDO - Temos um interesse musical bem amplo, que não fica restrito ao Folk/Twee. Certamente com o tempo nossa sonoridade vai sofrer algumas mudanças estéticas, e vamos mostrar outras faces musicais, mas é um processo evolutivo lento. Veja o caso de bandas como o of Montreal, o primeiro album Cherry Peel é completamente diferente do mais recente Skeletal Lamping, mas para mim continua sendo of Montreal, e gosto muito de ambos os discos. Acho que a identidade de uma banda ultrapassa os limites de um estilo musical.


BBP-Vocês acham que hoje existe mais espaço na mídia para o tipo de música que o Picnic Hipster faz?

GUSTAVO - Creio que há espaço para todas as manifestações musicais e sem dúvida alguma, algo que já foi falado exaustivamente, a internet contribui muito para isso.


RICARDO - Eu ainda não sei até que ponto a democratização da informação promovida pela internet é benéfica ou não para bandas independentes como a nossa. É um fenômeno recente. Já não se ouve mais música como antigamente... nosso som é um tanto específico, e sinceramente não creio que o 'Folk Twee' venha a conseguir muita evidência na mídia brasileira (apesar de recentemente ter surgido na mídia uma onda pseudo-folk). Deve ser o calor, o clima tropical daqui...acho que estamos um pouco à parte de tudo isso. Seria ótimo ter mais espaço, mas a falta disso não nos impedirá de continuar o que estamos fazendo.








BBP- No myspace vocês colocaram somente duas músicas. Quando sai algum single ou álbum?

GUSTAVO - Estamos finalizando a produção de mais algumas faixas e logo lançaremos um EP.
RICARDO - Temos muitas canções prontas para gravar. Provavelmente depois que lançarmos alguns EPs vamos reuní-los num só album.

BBP-Para finalizar escolham dois discos que representam de alguma forma o som do Picnic Hipster


GUSTAVO - Take a Picture - Margo Guryan.

RICARDO - Só dois? pergunta complicada...vou ultrapassar o limite...eu diria que se nunca tivesse ouvido Simon & Garfunkel - Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, Tindersticks - Tindersticks (1994), Belle & Sebastian - Fold Your Hands Child, You Walk Like A Peasant e of Montreal - The Gay Parade, o som do Picnic Hipster não seria esse.


Vai lá!

18 de outubro de 2009

Blog da Vez: Revista Samba


Samba é uma das melhores revistas de quadrinhos do Brasil. Não importa a categoria: major ou independente (ou como eles mesmo dizem: dependentes). Os caras da Samba comandam!





Quadrinhos doentes, cheios de neuras, sacadas, observações do dia-a-dia, mundos paralelos ao lado do seu quarto, filosofia de casas noturnas, diálogos sem sentido em traços diversos. E um humor tipicamente urbano. Assim é o universo da Samba.










As histórias de Gabriel Góes, LTG, Tiago Lacerda, Stevz, Gabriel Mesquita e outros colaboradores, fazem conexão com os filmes de David Lynch, gente dos quadrinhos como MZK e Fábio Zimbres, ficção científica dos anos 50, mangás toscos, a extinta revista Animal e pouca explicação.






Algumas histórias funcionam melhor para quem conhece Brasília e suas Superquadras. Piadas locais, que podem criar outros sentidos em terras alheias. Mas ainda assim dão o seu recado.









Há pouco tempo eles lançaram mais duas revistas da editora Samba: Kowalski e Amarelo Laranja e Vermelho.




Para comprar a sua edição impressa entre em contato com o pessoal da Kingdom Comics:



kingdomatendimento@gmail.com


Vai lá!